ANALISE: ENTENDA A SITUAÇÃO ENTRE A LEGISLATIVA E A ASSINATURA DO EXECUTIVO!

Quem é o dono de uma política pública? A polêmica que revelou mais do que uma parceria em Mari

A recente discussão sobre a parceria firmada entre o SENAC/PB e a Prefeitura Municipal de Mari para a realização de cursos de capacitação levantou uma questão que vai além da disputa política: quando uma ação é feita para o povo, quem deve receber o mérito – a gestão, os vereadores ou a coletividade?

Tudo começou com a divulgação oficial de que a Prefeitura, representada pela prefeita Lucinha da Saúde, assinou o Termo de Cooperação Técnica com o SENAC para a oferta de cursos profissionalizantes no município, garantindo oportunidade de formação especialmente para jovens. No anúncio, Lucinha não reivindicou autoria pessoal; ao contrário, destacou o trabalho em parceria e reconheceu a importância da cooperação com diversos setores, inclusive com o Legislativo.

Mas o anúncio gerou reação. A vereadora Djá Moura fez um longo comentário público afirmando que a ação teria sido fruto do seu mandato, dizendo que ela articulou tudo e que a Prefeitura apenas assinou o termo porque a lei exige a presença do Executivo. Na mensagem, a vereadora assumiu um tom defensivo e buscou destaque individual, ao afirmar que a iniciativa era sua e que não permitiria que “outros” se aproveitassem disso.


O confronto de discursos

Aqui se formam duas narrativas:

Discurso da Gestão Municipal Discurso da Vereadora Djá Moura
Foco na parceria institucional e benefício coletivo Foco na autoria individual da ação
Tom institucional e cooperativo Tom reivindicatório e competitivo
Reconhecimento da colaboração Busca de protagonismo pessoal
Ênfase no programa de educação Ênfase na visibilidade política
Sinalização de unidade administrativa Sinalização de mérito de mandato

A questão aqui vai além da política: é uma reflexão sobre o sentido do agir humano. Em Ser e Tempo, Heidegger nos mostra que o ser humano é um ser-com, isto é, sua existência acontece sempre em relação com os outros. Uma ação pública como essa, voltada à educação profissional, nasce de relações, estruturas e responsabilidades compartilhadas. Ela não pode ser reduzida a “quem fez primeiro” ou “quem merece os créditos”.

Quando o debate se transforma numa disputa de vaidades, o agir político cai naquilo que Heidegger chama de inautenticidade: viver em função das aparências e da opinião pública, e não do propósito verdadeiro das ações. Por outro lado, quando alguém reconhece que faz parte de um todo maior – como fez a prefeita ao destacar a união entre os poderes –, demonstra autenticidade: age pelo sentido, não pela disputa.

No fim das contas, uma parceria educacional que deveria unir passou a ser usada quem deve ser os aplausos. Mas quem perde com isso? O debate deixa de ser sobre os jovens que terão oportunidade de estudar e começa a girar em torno de vaidades políticas.

E assim fica a pergunta que ninguém consegue responder:

quando o poder público age, o mérito deve ser de alguém – ou de todos?

Redação Jornal Mariense Sim Senhor 

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