Quando o Berimbau Encontra a Lei: Capoeira, Identidade e Reconhecimento em Mari. Vereadora Djá, recebe grupo de capoeira e acolhe pedido.
Em um gesto que simboliza o encontro entre tradição e institucionalidade, o instrutor Jonas, acompanhado pelo grupo de capoeira Semente Crioula – Escola de Capoeira Mestre Cabedelo, reuniu-se com a presidente da Câmara Municipal de Mari, Djaciara, para apresentar, de forma oral e formal, o pedido de criação do Dia da Capoeira no calendário oficial do município. A iniciativa transcende um simples registro comemorativo: trata-se de um movimento de reconhecimento histórico, cultural e político de uma das mais genuínas expressões da identidade brasileira.
A capoeira, patrimônio cultural que nasceu da resistência do povo negro escravizado no Brasil, consolidou-se ao longo dos séculos como instrumento de luta, afirmação identitária e construção de cidadania. Mistura de arte marcial, dança, música e filosofia de vida, ela carrega fundamentos técnicos, códigos simbólicos e uma pedagogia própria, baseada na disciplina, no respeito e na coletividade.
Reconhecer oficialmente a capoeira por meio de ato legislativo significa inserir essa manifestação no arcabouço das políticas públicas culturais, fortalecendo sua salvaguarda e promovendo sua continuidade intergeracional.
Durante o encontro, a vereadora acolheu positivamente o pleito, comprometendo-se a estudar, junto à Casa Legislativa, uma data viável dentro do calendário municipal para que o Dia da Capoeira seja celebrado com a relevância que merece. O reconhecimento institucional representa não apenas um gesto simbólico, mas um marco normativo que legitima e potencializa ações culturais, educativas e sociais vinculadas à prática.
O grupo Semente Crioula desenvolve suas atividades na Casa da Cultura de Mari desde de agosto de 2025, consolidando um trabalho contínuo de formação humana e valorização cultural. Desde então, a iniciativa conta com o apoio da secretária Roberta Suenia e da gestão municipal, o que demonstra alinhamento entre sociedade civil organizada e poder público na promoção da cultura local. Esse suporte institucional tem sido determinante para ampliar o alcance social do projeto, fortalecendo vínculos comunitários e oferecendo à juventude um espaço estruturado de aprendizagem e pertencimento.
Ao buscar o reconhecimento legislativo, o grupo reafirma que cultura não é apenas entretenimento, mas política pública estratégica, ferramenta de transformação social e herança viva da história do Brasil. Quando o berimbau ecoa no plenário e encontra respaldo na lei, o que se consolida é mais do que uma data comemorativa: é o compromisso coletivo com a memória, a dignidade e o futuro cultural de Mari.
Redação Jornal Mariense Sim Senhor
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