reflexão: Quando a cobrança não vem acompanhada de informação: o discurso do vereador Erivan sobre o Castramóvel municipal
O vereador Erivan tem cobrado publicamente o funcionamento do Castramóvel, serviço de castração itinerante que, neste caso, não é do Estado, mas sim um programa de responsabilidade do próprio município. Cobrar ações do Poder Executivo é dever do Legislativo. No entanto, a crítica perde força e utilidade social quando não vem acompanhada de explicações claras sobre como o serviço funciona, quais são seus limites e quais caminhos reais existem para que ele volte a operar de forma eficiente.
Ao falar apenas que o “castramóvel não está funcionando”, sem apresentar o histórico do programa, sua estrutura, suas exigências técnicas e o fluxo correto de atendimento, o vereador deixa a população sem entender a complexidade da política pública de controle populacional de animais. A fala fica no campo do efeito político, mas não no campo da informação.
O Castramóvel municipal é um serviço voltado principalmente para cães e gatos, machos e fêmeas, com prioridade para:
Animais de famílias de baixa renda;
Animais em situação de rua, por meio de protetores e associações;
Casos indicados por critérios sanitários e de saúde pública.
O processo não é simples nem improvisado. Ele envolve:
Cadastro prévio dos tutores ou responsáveis;
Triagem clínica, para verificar idade mínima, peso e condições de saúde;
Cirurgia com anestesia e equipe veterinária habilitada;
Orientações e cuidados pós-operatórios, para evitar complicações.
Além disso, o funcionamento do Castramóvel depende de orçamento, manutenção do veículo, compra de medicamentos, materiais cirúrgicos, contratação ou disponibilidade de veterinários e apoio da Vigilância Sanitária. Sem essa estrutura, o serviço simplesmente não pode rodar, por mais que haja vontade política.
Quando um parlamentar cobra sem apresentar esses dados, sem contextualizar o que falta, o que já existiu e o que precisa ser feito para reativar o programa, a crítica se torna rasa. A população passa a ouvir apenas que “não funciona”, mas não entende o porquê, nem quais soluções concretas estão sendo discutidas.
Se a intenção do vereador Erivan fosse realmente contribuir com a causa animal e com a saúde pública, seu discurso deveria ir além da denúncia genérica. Deveria explicar:
Por que o Castramóvel municipal está parado;
O que falta para voltar a funcionar;
Qual o papel da Câmara em garantir recursos;
E como a gestão pode se reorganizar para retomar o atendimento.
Sem contar a história completa do Castramóvel, sem esclarecer seu funcionamento e suas necessidades, a cobrança vira apenas retórica. E políticas públicas sérias, como o controle populacional de cães e gatos, não podem ser tratadas como palco de discurso, mas como responsabilidade técnica, administrativa e humana.
Redação Professor Jhony Túlio
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