KELVE E GILMAR: Quer saber o que é amizade? Olhe para a vida de Kelvin, o bom amigo.

Há amizades que nascem da convivência. Outras, do acaso. Mas existem aquelas que Deus parece escrever com as próprias mãos, lapidadas pelo tempo, provadas pela dor e eternizadas pelo amor. São amizades que nem a enfermidade, nem o sofrimento e nem a própria morte conseguem apagar.
Quem conheceu Kelvi e Gilmar sabe que eles nunca foram apenas uma dupla musical. Eram dois corações caminhando no mesmo compasso, dois irmãos unidos por um laço que nenhuma tempestade foi capaz de romper.
Quer saber o que é amizade verdadeira?
É permanecer quando quase todos se afastam.
É segurar a mão do amigo quando ela já não tem forças para retribuir o aperto.
É enfrentar as noites mais longas, as lágrimas escondidas, o silêncio que grita e a esperança que insiste em sobreviver.
É escolher ficar... mesmo quando tudo convida a desistir.
Olhe para a vida de Kelvi, o bom amigo.
Durante todo o tratamento de Gilmar, Kelvin nunca soltou sua mão. Nunca abandonou sua caminhada. Nunca permitiu que a doença roubasse a dignidade, a história e o lugar que o amigo havia conquistado.
Mesmo quando Gilmar já não conseguia subir ao palco como antes, Kelvi fazia questão de manter viva a essência da dupla. Eram shows e mais shows, mas, em seu coração, jamais existiu um palco para apenas um. Em cada apresentação, Gilmar continuava presente. Na memória, no carinho do público, na voz do amigo e na certeza de que aquela história jamais seria cantada no singular.
E sua fidelidade ia além dos aplausos. Kelvi continuou dividindo com Gilmar os recursos das apresentações, honrando uma parceria construída sobre respeito, gratidão, generosidade e um amor fraterno raro de se encontrar. Não era apenas música. Era lealdade. Era cuidado. Era um abraço constante quando a vida mais doía.
Hoje, Mari chora a partida de Gilmar.
As lágrimas escorrem porque a cidade perde um artista. Mas, acima de tudo, perde um homem que teve o privilégio de viver uma amizade que poucos experimentam durante toda a vida.
A morte silencia vozes, mas jamais será capaz de calar os exemplos que o amor deixou.
Em tempos em que tantas amizades se desfazem por interesses, distâncias ou conveniências, Kelvi nos lembra que amigo de verdade não abandona. Permanece. Cuida. Sofre junto. Divide o peso da cruz. Caminha ao lado até quando os passos do outro já não conseguem seguir sozinhos.
Que a despedida de Gilmar não seja apenas um momento de tristeza, mas também um convite para refletirmos sobre aquilo que realmente importa nesta vida: amar sem medidas, permanecer sem exigir recompensas e ser presença quando o mundo inteiro se faz ausência.
Gilmar parte para a eternidade deixando saudades que o tempo jamais apagará.
Kelvi permanece entre nós deixando um testemunho vivo de fidelidade, compaixão e amor ao próximo.
Porque existem amizades que terminam.
E existem amizades que vencem o tempo.
A de Kelvi e Gilmar pertence à eternidade.

Texto: prof. Jhony Túlio 

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